Uma pesquisa realizada pela CNDL — Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil — Serviço de Proteção ao Crédito, em convênio com o Sebrae — Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, com pessoas que estão sem trabalho, revela que os desempregados brasileiros já estão há 18 meses, em média, sem ocupação formal, três meses a mais do que apontou o levantamento realizado em 2020.

A pesquisa também mostra que 64% dos entrevistados estariam dispostos a receber menos que a remuneração do último emprego, um aumento de 13 pontos percentuais em comparação a 2020. As justificativas destacadas pelos entrevistados apontam que para eles o mais importante no momento é arrumar emprego para pagar as despesas (35%), voltar ao mercado de trabalho (17%) e a percepção de que é mais fácil conseguir um emprego melhor estando empregado (11%).

Segundo o estudo, 86% dos desempregados afirmam não ter alguma reserva financeira para se manter por algum tempo até arrumar um emprego. Entre os que possuem algum tipo de reserva (14%), 58% são provenientes de poupança ou outro investimento.

A demora para se recolocar no mercado de trabalho tem feito com que essas pessoas busquem outras formas de sustento, como o trabalho informal, bicos e freelancers. De acordo com a pesquisa, 67% dos desempregados têm recorrido ao trabalho temporário para se sustentar, um aumento de 27 pontos percentuais em relação à 2020. Em seguida, aparecem os que têm parte ou a totalidade das despesas pagas por amigos ou familiares (34%).

Para os desempregados que atuam no trabalho temporário, fazem bico ou são freelancers, as principais atividades realizadas são: serviços gerais (27%), comércio ambulante (12%), revendedor de produtos (9%), diarista (8%) e serviços de beleza (8%). Serviços gerais é predominante entre os homens, enquanto revenda de produtos, diarista e serviços de beleza entre as mulheres.

Os desempregados que realizam trabalho temporário conseguem gerar, em média, R$850,10 por mês. Esse valor médio é 30% inferior ao salário-mínimo vigente, de R$ 1.212,00.

A grande maioria (90%) dos desempregados que realiza trabalho temporário considera essa atividade como, de fato, um bico até arrumar um emprego ou abrir seu negócio.

“Vivenciamos um período pós-pandemia com uma economia que se recupera com dificuldade, impactada pela alta dos juros e da inflação, e pela queda dos investimentos. Mesmo os números oficiais mostrando uma melhora dos indicadores econômicos e queda no desemprego nos últimos meses, é imprescindível o desenvolvimento e ampliação de políticas públicas tanto de auxílio à população desempregada quanto para a melhoria do ambiente de negócios do país, aliado à ampliação do crédito, incentivo para criação de novos negócios e fortalecimento das empresas, que são as que mais geram emprego e renda”, alerta o presidente da CNDL, José César da Costa.

Perfil do desempregado
A pesquisa mostra que o desemprego vem afetando, em grande medida, as camadas mais vulneráveis da população: cinco em cada dez desempregados são mulheres (53%), enquanto 47% são homens. A média de idade é de 33 anos, sendo que a maior parte corresponde aos jovens de 18 a 24 anos (32%) e à faixa etária de 25 a 34 anos (29%).

Considerando o nível de renda, verifica-se que nove em cada dez brasileiros sem ocupação pertencem às classes C, D e E (97%), enquanto apenas 3% estão nas Classe A e B. A renda média é de 1,7 salários-mínimos, ou R$ 2.060, sendo R$ 606 menor que 2020.

Em relação à escolaridade, 60% possuem entre o ensino médio completo e ensino superior incompleto, ao passo em que 33% têm o 2º grau incompleto e 7% o ensino superior completo ou mais. Apenas 10% falam outro idioma. Tendo em vista o estado civil, 51% são solteiros e 19% correspondem aos casados; mais da metade dos entrevistados possui filhos (58%).

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Fonte: Varejo S/A

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