Ainda que a força de trabalho das mulheres tenha crescido de forma considerável ao longo dos anos, há uma lacuna em determinadas profissões que ainda não é preenchida por essas profissionais, um reflexo muito cultural e que segue na previsão de mudar. Entre eles, um dos mais importantes — e também, veja que ironia, com maior falta de mão de obra qualificada — é o setor de tecnologia.

E essa falta de qualificação, vale destacar, não é exatamente preenchida com profissionais diversos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 20% da força de trabalho em tecnologia é provinda de mulheres, mas essa porcentagem, que corresponde a uma amostragem de 2019, deve mudar em breve.

Para se ter ideia, nos últimos cinco anos, a atuação feminina no setor saiu de 27,9 mil para 44,5 mil em 2019, um crescimento de 60%, como mostram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). E, ainda assim, a quantidade não é páreo para suprir a quantidade de vagas abertas no mercado.

Uma lacuna que as mulheres têm preenchido aos poucos
Embora haja uma crescente qualificação, é importante destacar que o próprio esforço do mercado também tem o objetivo de trazer mais mulheres ao segmento, além de preencher o espaço deixado pela fuga de cérebros no Brasil — que ocorre quando profissionais de tecnologia optam por vagas no exterior e, consequentemente, deixam uma falta de mão de obra qualificada no País.

Uma das empresas que tem qualificado uma série de trabalhadoras é a Digital Innovationm One (DIO), que já capacitou mais de 210 mil mulheres e pretende, até o final de 2022, dar oportunidade a outras 280 mil profissionais. “As oportunidades para mulheres na tecnologia são muitas. Trabalhamos para que a inclusão delas no mercado tech seja democrática e aconteça mais rápido do que o esperado”, afirma o CEO da DIO, Iglá Generoso.

Essa qualificação acaba sendo fundamental já que a quantidade de vagas abertas para a área de Tecnologia da Informação (TI) é imensa. Como mostra a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), até 2024, estima-se uma lacuna de 270 mil profissionais de TI, que culminarão em uma perda de receita que gira em torno dos R$ 167 bilhões.

“A área de TI e Tecnologia em geral se destaca entre as que as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço, junto com o Marketing Digital, em funções como Gestão de Tráfego e Design. Mas, sem dúvida, ainda é preciso abrir muito mais oportunidades para elas, por isso, qualificar as mulheres é fundamental”, explica Gisele Miranda, mentora em Carreira & Liderança Feminina.

Onde elas estão na tecnologia?
Outro ponto de destaque, explicado por Miranda, é o local de atuação que as mulheres entram dentro do setor de tecnologia. Surpreendentemente, e em especial para cargos de gestão, ela aponta a Indústria e a Automobilística, segmentos tradicionalmente preenchidos por homem.

“São segmentos mais conservadores, em que as mudanças ocorrem de forma mais lenta. Mas o principal é que as empresas e outros players promovam iniciativas voltadas para o público feminino, para que as disparidades gradativamente diminuam”, acrescenta Gisele.

Para os próximos anos, é bem provável que esse incentivo a qualificação feminina fique ainda maior, com áreas dentro das próprias empresas para proporcionar mais estudo e profissionalização. Além disso, com o avanço da luta pela equidade de gênero, é ainda mais provável que novas mulheres se interessem pelo segmento.

Fonte: Varejo S.A

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