Muitos novos empreendedores passam tempo demais pensando na melhor forma de levar seus produtos ou soluções ao mercado, no nome e no branding do negócio e acabam deixando um conceito crucial de lado, – seja por falta de conhecimento ou por considerá-lo um “bicho de sete cabeças” -, o de gestão financeira. Este ponto é reforçado quando olhamos para dados da Serasa Experian que mostram que mais de 5 milhões de Micro e Pequenas empresas estão inadimplentes e também que estes negócios representam a maior parcela dos pedidos de recuperação judicial no Brasil. A gestão financeira de um negócio não precisa ser algo extremamente complicado e não necessita de um profissional super especializado, como contador, administrador ou engenheiro como nas grandes empresas. Qualquer pessoa que já tenha tido um contato mínimo com números pode aplicar as práticas básicas de gestão financeira e ajudar o negócio a prosperar com suas finanças saudáveis.

Dois pontos importantíssimos devem ser levados em consideração no início de um negócio: o primeiro é entender que a empresa tem seu capital próprio que não deve, de forma alguma, servir de extensão das finanças pessoais do empreendedor. Para isso, estipule dentro da renda do negócio qual será seu salário fixo – o pró-labore – mensal e mantenha-se dentro deste orçamento até ser viável aumentar o rendimento próprio. O outro conceito fundamental da gestão financeira é o de conhecer e entender, de maneira aprofundada, todos os custos do negócio. Pense nesta etapa como uma receita de bolo. Você sabe que, ao longo do mês, precisará de quantidades determinadas de farinha, ovos, manteiga, fermento e leite e que cada um destes itens tem seu custo. Além disso, existem os gastos com energia, aluguel do espaço, equipamentos, gás, manutenção e muitos outros. Tendo estes dados em mãos, você consegue precificar seu produto, neste exemplo o bolo, da maneira correta e evita perder dinheiro e clientes no futuro.

Para micro e pequenas empresas que operam no vermelho, estes conceitos também se aplicam e podem ser salvadores. O principal exercício a ser feito nesta etapa é o de revisitar a “receita de bolo” do negócio e encontrar quais custos não são necessários e podem ser cortados ou otimizados. Um negócio de doces caseiros provavelmente não precisa da internet mais veloz disponível no mercado, entende? Por isso é preciso conferir com frequência os gastos do negócio e fazer os devidos ajustes. Outra opção interessante, mas que precisa ser utilizada com muito – MUITO – cuidado são os empréstimos. Hoje, o número de Micro e Pequenos negócios inadimplentes no Brasil poderia ser muito menor que os atuais 5 milhões se estes empreendedores soubessem as maneiras e momentos certos de contrair este tipo de dívida.

Em primeiro lugar, a regra de ouro é nunca fazer um empréstimo apenas para tapar um buraco que irá se abrir novamente. Um ótimo exemplo é pegar dinheiro emprestado para pagar o salário do mês dos funcionários. Você resolve temporariamente um problema que irá se repetir no mês seguinte e, para piorar a situação, será preciso pagar os salários e a parcela da dívida. Fazer empréstimo requer planejamento minucioso. Veja quais os problemas que precisam ser resolvidos, como faturas do cartão de crédito corporativo em aberto e contas atrasadas, e quanto dinheiro será necessário para fazer isso. Com este montante em mente, é preciso se planejar financeiramente para pagar a dívida do empréstimo, separar uma parte do dinheiro para o caixa do próprio negócio e para pagar os custos operacionais, e conseguir fechar o mês no azul. Pegar dinheiro emprestado no desespero é receita certa para o desastre. Outro momento aceitável para se fazer um empréstimo é na hora de adquirir um novo equipamento que ajudará o negócio a faturar mais. Em alguns casos, o próprio aumento da receita já paga as parcelas do financiamento, mas ainda assim, o planejamento nunca deve ser deixado de lado.

Estes são alguns conceitos básicos de gestão financeira que podem ser aplicados por qualquer tipo de pessoa. Como falei, gerir as finanças de uma empresa nos estágios iniciais não precisa ser nenhum “bicho de sete cabeças”, mas conforme o negócio vai evoluindo, é necessário que o empreendedor também se especialize ou invista em um profissional capacitado. Mas para as Micro ou Pequenas empresas, as lições de separar o capital da empresa do pessoal e acompanhar rotineiramente seus gastos em busca de oportunidades de otimização com certeza as ajudarão a crescer de maneira financeiramente saudável.

Por, Hugo Roberto DolgovasController na Printi

Fonte: Varejo S.A

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