A crise econômica e política não dá trégua: o PIB despencou, o dragão está enfurecido e o desemprego bate à porta dos brasileiros. Mas o discurso entre a maioria delas é de otimismo. No estilo sou brasileira e não desisto nunca, mulheres ouvidas em uma pesquisa recente realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) afirmam que prevalece uma visão esperançosa e confiante no futuro. Seis em cada 10 entrevistadas (62%) estão animadas em relação à realização de projetos de vida em 2016.

O levantamento “O Perfil das Mulheres Brasileiras” avaliou os interesses de consumo delas e apontou que reformar a casa e comprar um carro ou moto são os principais desejos para este ano, com 30,4% e 24,2% das respostas, respectivamente. Também aparecem na lista tratamento dentário (22%) e cursos ou faculdade (20,1%).

Aos 20 anos, a estudante Isabela Baeta realizou o sonho de entrar para a universidade. Passou no vestibular e começou o curso de engenharia civil no Ibmec em fevereiro.

“O ano de 2015 foi difícil demais. Então a gente tem que acreditar que 2016 será melhor. Só de estar cursando uma faculdade já tenho o que comemorar. Quero me dedicar e estudar muito. Esse ano vai ser top!”, acredita.

 

Anseios caros

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a pesquisa revelou que, a despeito da crise, as mulheres mantêm anseios caros, que exigem muito do bolso para a concretização. “A compra de um carro ou moto, uma obra em casa e até cursar uma faculdade particular são desejos que não custam barato. Isso mostra que as mulheres estão ambiciosas, o que é um bom indicativo. Ninguém quer parar a vida ou deixar de sonhar por causa dos problemas econômicos e políticos do país”, analisa.

Além dos interesses e influências das mulheres no mercado de consumo, a pesquisa procurou entender quem são e como pensam as brasileiras. Mais do que comprar produtos e ter aspirações profissionais, para as mulheres entrevistadas o que realmente importa na vida e no momento atual é ter saúde, estabilidade financeira e qualidade de vida. As principais fontes de satisfação das entrevistadas são os filhos (48%), viajar (33%), os animais de estimação (28%) e fazer compras (26%).

 

Já as fontes de estresse são a falta de dinheiro (64%), a aparência física (34%) e dívidas pendentes (28%). Nestes momentos de estresse, a meditação ou oração são as atitudes mais comuns (46%) usadas como compensação para se sentir melhor.

Elas são responsáveis pelas decisões em 46% dos lares

Elas ajudam a pagar as contas e tomam as principais decisões dentro de casa, mas nem sempre são tratadas como chefes da família. Trabalham para obter realização pessoal e, ao mesmo tempo, pagar as despesas do mês. De acordo com a pesquisa feita pelo SPC Brasil e pela CNDL, são as entrevistadas que decidem a maioria dos assuntos da família em 46% dos lares, ainda que o maior salário não seja o delas. Produtos como roupas, artigos para casa, produtos de higiene, limpeza, artigos para os filhos, eletrônicos, alimentos e até mesmo as roupas dos cônjuges são decididos, em sua maioria, pelas mulheres.

Porém, apesar de as brasileiras terem um grande poder de decisão nos lares e grande participação no mercado em todos os setores, elas entendem que as empresas deveriam saber dialogar melhor e reconhecer oportunidades de mercado para esse público-alvo. “As mulheres não se sentem representadas na mídia. O entendimento é o de que as empresas do segmento financeiro, de saúde e de bebidas estão paradas no tempo. Esses setores estão ficando para trás”, diz a economista Marcela Kawauti.

 

Flávio Tavares/Hoje em Dia Estudante

Isabela Baeta reflete os desejos das mulheres entrevistadas pelo SPC Brasil

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